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sábado, 11 de outubro de 2025

Como identificamos a burrice na economia

 


Por Professor Bertoncello

A alocação de recursos com precisão é a chave para a prosperidade: igualar o custo de cada esforço ao impacto máximo de aumento de lucratividade foi a estratégia de John Rockefeller, que, aos dezesseis anos, era contador e se tornou o homem mais rico dos Estados Unidos na era industrial. Ele também promoveu bem-estar coletivo e prosperidade nos locais onde aplicou seus recursos — que eram sua riqueza e sua inteligência.

Agora que sabemos o caminho para o sucesso, vamos observar dois movimentos que mexeram com o Brasil: a falsificação de bebidas destiladas por empresas clandestinas, que aparentemente já atuam há muito tempo no país, e o aumento de impostos para a classe produtiva, que naturalmente vai repensar a alocação dos seus recursos no próximo ano.

Vamos compreender a lógica do falsificador de bebidas: ele aposta na incapacidade do consumidor final de identificar a diferença entre uma bebida boa e uma ruim. De forma simplificada, podemos exemplificar assim: pega-se um gin cuja garrafa custa R$ 50,00 e alteram-se os rótulos ou as próprias garrafas para que pareçam um gin de R$ 130,00. Mesmo considerando o custo dessa modificação, o criminoso obtém um lucro muito maior que o do fabricante. Provavelmente há a participação de bares, que alternam essas compras sem notas fiscais. Dessa forma, todos ganham, menos o consumidor final, que perde ao consumir um produto de baixa qualidade.

Mas falsificar essa garrafa utilizando metanol é uma alocação equivocada de recursos. Afinal, a ação chamou a atenção da polícia e da mídia, resultando em uma queda de 15% no consumo de destilados em apenas uma semana. Dessa forma, todos perderam: os falsificadores, os donos de bares, os fabricantes honestos, o governo, com a redução da arrecadação de impostos, e, principalmente, os consumidores que perderam a vida ou tiveram sua saúde comprometida. Agora, a pergunta:
Não seria a prova de burrice matar o cliente que garantiu lucro por anos de falsificação? Responderei a essa pergunta no final do artigo.

O segundo movimento ocorreu com o pedido do Governo Federal para sobretaxar em até 10% a renda de empresários que sabem gerar riqueza. A declaração do relator, o deputado Arthur Lira, foi alarmante: “Não teremos impostos para empresas superiores a 40% e para a pessoa física de 31%”. Imagine um empresário que vê sua empresa pagando 40% e, depois, na distribuição de lucros, pagar mais 31% na pessoa física. Restam apenas duas alternativas para esse empresário: repassar seus custos, caso o mercado consiga absorver os novos preços, ou deixar de exercer essa atividade e buscar outras formas de alocar seus recursos.

Quando os governos elevam demasiadamente a carga tributária, entram em uma zona de rendimentos decrescentes, como descreve a Curva de Laffer. De acordo com essa teoria, existe um ponto ótimo de tributação no qual a arrecadação é maximizada; acima desse ponto, cada aumento de imposto reduz os incentivos à produção, ao investimento e à formalização, estimulando evasão fiscal, sonegação e fuga de capitais.

Estaria o governo exercendo a burrice plena ao desafiar a Curva de Laffer? Chegou a hora de tentar responder a essas duas questões intrigantes, que parecem desafiar a lógica do lucro e da alocação otimizada de recursos, princípios que fazem a economia funcionar há séculos. Me parece claro que o uso de metanol não foi feito pelos mesmos bandidos tradicionais da falsificação. 

Eles não têm caráter e estão à margem da legislação, mas há muito tempo vivem de vender bebidas “batizadas”, nunca envenenadas. Quem praticou esse ato no estado de São Paulo e, em menor proporção, em outros estados, tinha outros objetivos: provavelmente causar medo na população e gerar desconforto em políticos e agentes de controle. E, aparentemente, conseguiu, diante da incapacidade desses políticos e agentes de reprimir o crime.

E o governo não está preocupado com a arrecadação de impostos no longo prazo. Seu movimento tem como foco o curtíssimo prazo, em outras palavras, a eleição de outubro do ano que vem, mas trará consequências inevitáveis: a destruição do tecido socioeconômico e o enfraquecimento da classe média, que, essa sim, precisa agir. Meu conselho é claro: aloquem seus recursos financeiros e intelectuais de forma estratégica, para fugir do movimento político de caça às bruxas contra os empresários. Caso contrário, a burrice será sua.

Instagram: @profbertoncello


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Você sabe a relação de split payment, IBC-BR e recessão?


 Vamos às definições individuais de cada uma destas três palavras. O split payment, segundo o dicionário de Oxford, é “um método de liquidação de uma única fatura ou compra dividindo o valor devido entre duas ou mais fontes de pagamento (por exemplo, usando mais de um cartão de crédito, combinando cartão + dinheiro ou reunindo contribuições de várias pessoas)”. Em outras palavras, trata-se de dividir o dinheiro em tempo real para mais de um destino, no caso brasileiro, para o comerciante e, inevitavelmente, para o governo, que não perde a chance de abocanhar sua parte antes mesmo de o cidadão receber a sua.

O IBC-BR (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) é um indicador mensal criado pelo Banco Central do Brasil, com participação da Receita Federal, para medir a atividade econômica do país, funcionando como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Ele é calculado com base nos impostos pagos pelos setores da indústria, comércio, serviços e agropecuária, considerando variáveis como produção física, vendas no varejo, consumo de energia elétrica e outras proxies de atividade econômica. Curiosamente, estamos diante de problemas estatísticos entre o IBC-BR e o PIB: no primeiro trimestre de 2025, o IBC-BR caiu 0,1% enquanto o PIB subiu 1,4%; já no segundo trimestre, o IBC-BR recuou 0,43% e o PIB avançou 0,4%. A mágica estatística do IBGE pode até tentar dourar a pílula, mas não é o tema deste artigo, o foco é a economia real, que o governo insiste em mascarar.

Uma recessão é confirmada quando o PIB real (ajustado pela inflação) apresenta crescimento negativo por pelo menos dois trimestres consecutivos, medido em comparação com o trimestre anterior (variação trimestral ajustada sazonalmente). Foi exatamente isso que ocorreu com o IBC-BR, mas, segundo o IBGE, “milagrosamente” não aconteceu com o PIB. No entanto, o número de empresas inadimplentes em 2025, em comparação a 2024, sugere de forma clara uma recessão, pois vem crescendo fortemente.

Agora vamos juntar os pontos: segundo a Receita Federal, o split payment será o mais moderno do mundo, enfim, seremos campeões mundiais em alguma coisa! O governo ainda afirma que o sistema será 150 vezes maior e mais poderoso que o PIX. Para efeito de comparação, o PIX, em horário de pico, processa mais de 3.000 transações por segundo; já o split payment teria a capacidade de monitorar mais de 450.000 notas fiscais por segundo. Uma façanha tecnológica usada não para facilitar a vida do cidadão ou do empresário, mas para ampliar o alcance do controle estatal sobre cada centavo que circula na economia.

A Receita Federal do Brasil (RFB) pretende utilizar o split payment como parte da implementação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS/CBS), previsto na Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025), a chamada “reforma tributária do Lula”. O teste começaria em 2026, com alíquotas simbólicas (0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS), aplicado facultativamente em operações entre empresas. O Grupo Técnico 20 (GT-20), coordenado pelo Ministério da Fazenda com participação da Receita, Banco Central e entes subnacionais, está desenvolvendo o modelo que, segundo eles, será seguro, inovador e inédito no mundo. Para mim, trata-se da maior arma de repressão contra a atividade econômica de pequenas e médias empresas, pois o dinheiro do imposto nem sequer entrará no caixa da companhia. Como consequência, a inadimplência, os pedidos de recuperação judicial e a quebradeira generalizada tendem a se intensificar, enquanto o governo comemora mais um “avanço” à custa da sobrevivência do empreendedor brasileiro.

Vamos à resposta do título: a economia brasileira real está enfrentando graves dificuldades financeiras. Isso é notório no IBC-BR, que evidencia que, apesar do aumento da carga tributária, a arrecadação vem caindo. As empresas estão fechando as portas e o país já registra o recorde histórico de companhias inadimplentes. Assim, a recessão do mundo real não é uma previsão distante, ela já está acontecendo diante dos nossos olhos, enquanto o governo insiste em manipular narrativas para negar a realidade.

Mas o PIB continua subindo e, na visão do governo, a “verdade” é que os brasileiros e suas empresas estão sonegando cada vez mais. Para resolver o problema de caixa, a solução apresentada é o split payment, que eu carinhosamente apelido de “espião de pagamento”. Esse sistema vai separar a parte do governo antes mesmo de a empresa receber pelo serviço prestado ou pelo produto vendido. Assim, na narrativa oficial, deixaremos de ser vistos como sonegadores e, magicamente, tudo ficará bem, ao menos para os cofres do Estado, não para quem produz e sustenta a economia real.

Na realidade, as empresas no Brasil lutam diariamente para sobreviver. A grande maioria enfrenta um fluxo de caixa deficitário e precisa recorrer aos bancos em busca de capital de giro, arcando com juros abusivos. Esses juros são altíssimos por culpa de um governo gastador e de um oligopólio bancário sustentado pelo próprio Estado. Em resumo, os empreendedores brasileiros estão prestes a sofrer mais um duro golpe. Fica, então, a reflexão: por quanto tempo ainda suportaremos este cenário socioeconômico, marcado por uma política fiscal e monetária desastrosa e, por que não dizer, por este governo que insiste em punir quem trabalha e produz?

Instagram: @profbertoncello

Exportar deixou de ser opção: como pequenas e médias empresas podem crescer no mercado internacional mesmo em um cenário global desafiador

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