segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

O sol nasce no oriente e o que esperar para os próximos dias?

 


Existe uma mística sobre o Oriente que nasceu do eurocentrismo, e é por esse motivo que chamamos a Ásia de “Oriente”. Curiosamente, o caminho das Índias feito por Vasco da Gama em 1497, navegando para o Leste, e o de Fernão de Magalhães em 1520, rumo ao Oeste, reforçaram essa lógica simbólica. Como você sabe, escrevo sobre economia, e não sobre geografia; ainda assim, vale a reflexão proposta por Dante 1310: para ele, a questão não era o Oriente ou o Ocidente, mas sim a luz do Sol, símbolo da vida, do futuro e de Deus que, para os europeus, nascia a partir do Oriente. Ao final do artigo, entenderemos qual futuro aguarda esse “Oriente” que tanto influenciou nossa visão de mundo.

Quais são os dois principais fatos vindos do Extremo Oriente nesta semana? O primeiro é a tragédia nas sete das oito torres do complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po (Hong Kong), onde mais de 180 pessoas não sobreviveram. O segundo é a declaração da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre a possibilidade de intervenção militar do Japão em um hipotético conflito no Estreito de Taiwan, caso isso seja necessário para garantir a sobrevivência do país como uma nação livre.

Agora vamos ligar esses fatos à economia. Na China, as oito torres tinham dois mil apartamentos; com o incêndio em sete delas, foram destruídos cerca de 1.750 apartamentos, cada um com média de 55 m². Considerando o valor do metro quadrado na região, o prejuízo estimado para os moradores é de aproximadamente USD 1,3 bilhão. E por que o fogo se alastrou tão rapidamente? De forma preliminar, os jornais apontam dois fatores: primeiro, os dispositivos anti-incêndio não funcionaram; segundo, o revestimento antichamas, exigido por lei, não existia ou era de baixa qualidade. Eu resumo esse fato como o custo da corrupção de agentes públicos.

As declarações de Takaichi deixaram claro que o Japão mudou, ou voltou, à sua natureza histórica: três guerras nos últimos 100 anos, com média de uma a cada 33 anos, ou nove guerras nos últimos 200 anos, uma a cada 22 anos. Porém, para financiar poder bélico, é necessário dinheiro, e a dívida japonesa de 234% do PIB, com um serviço da dívida que custa 2,5% a uma taxa de apenas 0,5%, poderia impedir esse movimento, se o Japão não fosse o maior credor líquido do mundo (Net International Investment Position – NIIP). As empresas e as pessoas físicas japonesas têm mais de USD 3,48 trilhões emprestados no exterior, e esse dinheiro poderia retornar ao Japão caso os juros domésticos aumentassem.

Por outro lado, na China, mais de 50 empreiteiras tiveram problemas com seus pagamentos nos últimos cinco anos. A insistência do governo chinês em manter essas empresas vivas provavelmente decorre do mesmo motivo que explica as falhas nas torres do complexo residencial Wang Fuk Court: corrupção. A bola da vez é a empresa Wanke, que deixou de honrar seus compromissos financeiros e foi socorrida por bancos estatais, mas que pode ter o mesmo destino de Evergrande, Country Garden e Sunac China, para citar apenas as mais conhecidas.

E agora fica a dúvida: o que esperar do Oriente nos próximos dias? Primeiro, paciência. É preciso compreender que isso faz parte da cultura oriental: o silêncio ou a não ação não significam “não fazer nada”, mas sim planejar para executar algo com mais precisão. Segundo, podemos recorrer aos pensamentos de Sun Tzu. Ele diz algo profundo e perigoso: “O general que vence é aquele que sabe quando avançar e quando não avançar.” Mas quando a decisão já foi tomada, quando o exército está comprometido, retroceder deixa de ser uma opção tática. Em outras palavras, China e Japão não vão retroceder.

Depois dos incêndios, surgiu um manifesto online com 10 mil assinaturas; dois dias depois, mais de 300 pessoas que assinaram foram presas, e agora o manifesto conta com apenas 2 mil assinaturas. O governo chinês não vai ouvir o povo e continuará em sua trajetória. Já o Japão, apesar de toda a dificuldade financeira, vai se rearmar e voltará a ser uma potência militar, mesmo que, para isso, tenha que provocar uma recessão internacional ao repatriar seus ativos no exterior.

Em resumo, não vai acontecer nada de extraordinário nos próximos dias, mas, quando acontecer, a repercussão não vai durar apenas alguns dias.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Internacionalização: um caminho estratégico para pequenas e médias empresas

 


Quando falamos em internacionalização dos negócios, muitos empresários de pequenas e médias empresas (PMEs) ainda enxergam esse movimento como algo distante, restrito a grandes corporações com estruturas robustas. No entanto, essa percepção não condiz com a realidade atual do mercado global. Cada vez mais, as pequenas e médias empresas – sejam elas do setor de bens ou de serviços – têm encontrado oportunidades relevantes ao expandirem sua atuação para além das fronteiras brasileiras.

No Brasil, os pequenos negócios desempenham um papel central na economia. Segundo dados do SEBRAE, eles representam aproximadamente 30% do PIB nacional e são responsáveis por mais de 50% dos empregos formais. Ou seja, a força das micro, pequenas e médias empresas é inquestionável no contexto interno. Porém, quando olhamos para a participação desses mesmos negócios no comércio exterior, o cenário é completamente diferente: a fatia ainda é reduzida, não ultrapassando 1% do total exportado pelo país

Esse descompasso evidencia uma oportunidade estratégica: ampliar a presença das pequenas e médias empresas no comércio internacional. Afinal, a internacionalização não se trata apenas de vender produtos ou serviços para outros países, mas sim de estruturar o negócio para ganhar competitividade, diversificar riscos, ampliar o faturamento e agregar valor à marca. Estar presente em mercados externos permite às empresas acessarem novos consumidores, diluírem a dependência do mercado interno e aprenderem com padrões globais de qualidade, inovação e sustentabilidade.

Outro ponto fundamental é a resiliência. Empresas que atuam em mais de um mercado conseguem se proteger melhor de crises internas e flutuações econômicas locais, criando um colchão estratégico de estabilidade. Além disso, a experiência internacional contribui para a profissionalização da gestão, gerando práticas mais modernas e maior preparo para competir inclusive no próprio mercado doméstico.

É claro que o processo de internacionalização exige planejamento, capacitação e acompanhamento especializado. Aspectos como adequação de produtos e serviços, certificações, análises de mercado, compliance regulatório e definição de canais de entrada são etapas críticas para o sucesso. Mas o importante é compreender que existem políticas públicas, programas de apoio e instrumentos que ajudam as empresas a percorrer esse caminho com menor risco e mais assertividade.

Um desses instrumentos é o PEIEX – Programa de Qualificação para Exportação, da ApexBrasil. O PEIEX tem como propósito preparar e capacitar empresas brasileiras para darem seus primeiros passos no comércio exterior de forma estruturada, gratuita e com suporte técnico. 

Como técnica do programa, atuo diretamente com empresas da região de Barueri, Cotia, Jandira, Osasco, Santana de Parnaíba e demais regiões no entorno, oferecendo orientação prática para que as pequenas e médias empresas compreendam o processo exportador, construam um plano de internacionalização e estejam prontas para ingressar no mercado global.

Se você é empresário e acredita que sua empresa – de bens ou serviços – tem potencial para alcançar outros mercados, este é o momento de dar o próximo passo. 

A internacionalização pode ser o diferencial que transformará seu negócio em uma marca de referência, com maior competitividade e solidez.

Entre em contato comigo e vamos conversar sobre como o PEIEX pode apoiar sua empresa nessa jornada rumo à exportação. O futuro do seu negócio pode estar além das fronteiras brasileiras.

WhatsApp: (11) 99940-0945

Instagram: @mhashimoto

sábado, 8 de novembro de 2025

O que pedir ao advogado num momento de sucessão?

 

Neste vídeo, o especialista em gerenciamento patrimonial Marcelo Prezotti explica o que deve ser levado em consideração na hora de planejar a sucessão familiar  junto com o seu advogado ou mesmo contador. 

terça-feira, 4 de novembro de 2025

MedSênior desafia estereótipo de envelhecimento com intervenção visual em vagas de estacionamento

 


A MedSênior - operadora de saúde voltada para o público 49+, com foco em medicina preventiva e no conceito de Bem Envelhecer - iniciou uma intervenção estratégica em vagas de estacionamento da rede de supermercados Extrabom, no Espírito Santo. Por meio da ação de marketing batizada de "60 Vive+", a proposta é desafiar o estereótipo do envelhecimento e provocar um debate em torno do tema. 
A iniciativa visa reforçar o posicionamento da marca líder em medicina preventiva e promotora do conceito de Bem Envelhecer, a partir da substituição dos símbolos de vagas de estacionamento prioritárias para idosos - que normalmente retratam uma pessoa curvada e de bengala -, transformando sua identidade visual e substituindo os ícones ultrapassados por imagens que retratam o idoso atual: surfando, pedalando, viajando e curtindo a vida. A ação, que começou pela unidade do Extrabom em Jardim Camburi, vai ser realizada em todas as 37 unidades da rede no Espírito Santo, ao longo do mês de outubro - com possibilidade de ter o período ampliado. 
“A sociedade há muito tempo lida com estereótipos que associam o envelhecimento unicamente à limitação. Por décadas, a imagem do idoso foi representada de forma estigmatizada e as placas de indicação prioritárias para quem passou dos 60 eram – e ainda são, em alguns casos – exemplo disso, como se o envelhecimento fosse, por si só, sinônimo de limitação. No entanto, o sênior atual é ativo”, destaca Maycon Oliveira, diretor de marketing da MedSênior e um dos idealizadores da campanha.
Por meio da ação, a operadora se posiciona não apenas como prestadora de serviços, mas como agente de transformação social e participante ativa do debate. Com forte apelo estratégico, o novo visual das vagas está alinhado a um projeto de lei (PL),  com parecer favorável dos relatores da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. O PL, em fase final de tramitação, sugere adotar como símbolo nacional da identificação da pessoa idosa a imagem de uma pessoa ereta acompanhada da inscrição 60+ para sinalizar espaços de prioridade previstos por lei.
“A ilustração de uma pessoa fazendo uso de bengala está muito distante do que representa ser idoso atualmente, e fazer parte de um negócio diretamente voltado para esse público nos dá condições de afirmar que o ‘novo’ idoso trabalha, dirige, se exercita, viaja, define suas prioridades, faz a gestão da própria saúde, escolhe contribuir ou não no cuidado com os netos e é protagonista da economia prateada. Foi para comunicar esse novo perfil e reforçar o nosso conceito de Bem Envelhecer que nasceu o Projeto 60 Vive+, uma iniciativa estratégica de comunicação em parceria com a rede de supermercados Extrabom”, completa Maycon.
Intervenção pensada para fomentar o debate
A iniciativa, que conta com a parceria estratégica da agência Maely Arte e Publicidade (responsável pela produção e instalação dos adesivos), tem outras empresas interessadas em aderir à ideia. Desenhada para fugir da publicidade tradicional, os adesivos nas vagas não possuem menção aos nomes da MedSênior ou do Extrabom, apenas um QR Code que convida o público a conhecer o hotsite do projeto.

Sem menção aos nomes da MedSênior e do Extrabom, QR Code presente da adesivagem direciona o público para o hotsite do projeto - Crédito: Divulgação MedSênior
Para Rodrigo Pegoretti, Diretor de Criação da ação, a proposta é gerar uma mudança de olhar através de uma intervenção de impacto visual. "O conceito que construímos é que o 'idoso' como a sociedade o concebeu, esse estereótipo, ficou velho, se aposentou. Criamos uma intervenção no símbolo mais evidente de prioridade — a vaga de estacionamento — justamente para chamar a atenção para o fato de que as pessoas ainda não se atentaram para a revolução que o envelhecimento sofreu no Brasil. É uma ação diferenciada que tem tudo para ganhar proporção e provocar essa nova visão no mercado", afirma.

60 Vive+ na prática
O sucesso do modelo assistencial preventivo da MedSênior é refletido por beneficiários como Janete Duarte dos Santos, 66 anos. Longe do estereótipo ultrapassado, Janete é fotógrafa, empresária, corre, nada no mar e pratica rapel. Sua vitalidade é um testemunho da eficácia do acompanhamento contínuo e do investimento em atividades físicas e bem-estar.
Desta forma, o Projeto 60 Vive+ transforma uma obrigação legal (vaga prioritária) em uma oportunidade para a MedSênior comunicar de forma clara sua mensagem: uma longevidade ativa, independente e com qualidade de vida não é só possível. É também uma realidade, e precisa ser atualizada no imaginário popular.

FICHA TÉCNICA DA AÇÃO 
Direção de Criação: Rodrigo Pegoretti, Maycon Oliveira e Vanessa Ferreira 
Direção de Arte: Thiago Rodrigues 
Redação: Rodrigo Pegoretti
Agência Parceira: Maely Arte e Publicidade 

Sobre a MedSênior
A MedSênior é uma operadora de saúde especializada no atendimento ao público a partir dos 49 anos, com foco em medicina preventiva e no conceito do Bem Envelhecer. Seu modelo de cuidado é baseado na excelência do atendimento humanizado, personalizado e multidisciplinar, tendo como compromissos a promoção da autonomia, qualidade de vida e da longevidade saudável - tudo isso aliado à inovação e ao acompanhamento integrado da jornada do paciente.
Completando 15 anos de atuação e com 45 unidades próprias em oito estados, além de uma ampla rede credenciada, a empresa tem a tecnologia como aliada para oferecer serviços que proporcionam qualidade de vida real aos seus mais de 240 mil beneficiários.
 Acompanhe a MedSênior:

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Figueiredo Jr, o Marqueteiro do momento

 


O jornalista e empreendedor de comunicação Figueiredo Jr não pára de ampliar seus negócios. Agora vêm se fortalecendo como um dos grandes estrategistas de comunicação do Brasil, colaborando com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, tanto na sua reeleição como na sua atual gestão.

Além disso, vêm conquistando um exponencial destaque como influenciador político e empresarial nas plataformas sociais, com milhões de acessos.

Figueiredo Jr, também já fez muito sucesso por décadas nas maiores Rádios e TVs do país, como Rádio Globo e TVS Bandeirantes e SBT.

A Estação I, seu portal digital, atinge de 8 a 10 milhões de visualizações por mês, com posts acima de um milhão, é uma das mais seguidas na internet.

Figueiredo Júnior é jornalista e atua no facebook com futebol, reportagens policiais e também entretenimento, além de mensagens de qualidade de vida e mensagens de auto-ajuda. 

Instagram: https://www.instagram.com/figueiredofjr

sábado, 11 de outubro de 2025

Como identificamos a burrice na economia

 


Por Professor Bertoncello

A alocação de recursos com precisão é a chave para a prosperidade: igualar o custo de cada esforço ao impacto máximo de aumento de lucratividade foi a estratégia de John Rockefeller, que, aos dezesseis anos, era contador e se tornou o homem mais rico dos Estados Unidos na era industrial. Ele também promoveu bem-estar coletivo e prosperidade nos locais onde aplicou seus recursos — que eram sua riqueza e sua inteligência.

Agora que sabemos o caminho para o sucesso, vamos observar dois movimentos que mexeram com o Brasil: a falsificação de bebidas destiladas por empresas clandestinas, que aparentemente já atuam há muito tempo no país, e o aumento de impostos para a classe produtiva, que naturalmente vai repensar a alocação dos seus recursos no próximo ano.

Vamos compreender a lógica do falsificador de bebidas: ele aposta na incapacidade do consumidor final de identificar a diferença entre uma bebida boa e uma ruim. De forma simplificada, podemos exemplificar assim: pega-se um gin cuja garrafa custa R$ 50,00 e alteram-se os rótulos ou as próprias garrafas para que pareçam um gin de R$ 130,00. Mesmo considerando o custo dessa modificação, o criminoso obtém um lucro muito maior que o do fabricante. Provavelmente há a participação de bares, que alternam essas compras sem notas fiscais. Dessa forma, todos ganham, menos o consumidor final, que perde ao consumir um produto de baixa qualidade.

Mas falsificar essa garrafa utilizando metanol é uma alocação equivocada de recursos. Afinal, a ação chamou a atenção da polícia e da mídia, resultando em uma queda de 15% no consumo de destilados em apenas uma semana. Dessa forma, todos perderam: os falsificadores, os donos de bares, os fabricantes honestos, o governo, com a redução da arrecadação de impostos, e, principalmente, os consumidores que perderam a vida ou tiveram sua saúde comprometida. Agora, a pergunta:
Não seria a prova de burrice matar o cliente que garantiu lucro por anos de falsificação? Responderei a essa pergunta no final do artigo.

O segundo movimento ocorreu com o pedido do Governo Federal para sobretaxar em até 10% a renda de empresários que sabem gerar riqueza. A declaração do relator, o deputado Arthur Lira, foi alarmante: “Não teremos impostos para empresas superiores a 40% e para a pessoa física de 31%”. Imagine um empresário que vê sua empresa pagando 40% e, depois, na distribuição de lucros, pagar mais 31% na pessoa física. Restam apenas duas alternativas para esse empresário: repassar seus custos, caso o mercado consiga absorver os novos preços, ou deixar de exercer essa atividade e buscar outras formas de alocar seus recursos.

Quando os governos elevam demasiadamente a carga tributária, entram em uma zona de rendimentos decrescentes, como descreve a Curva de Laffer. De acordo com essa teoria, existe um ponto ótimo de tributação no qual a arrecadação é maximizada; acima desse ponto, cada aumento de imposto reduz os incentivos à produção, ao investimento e à formalização, estimulando evasão fiscal, sonegação e fuga de capitais.

Estaria o governo exercendo a burrice plena ao desafiar a Curva de Laffer? Chegou a hora de tentar responder a essas duas questões intrigantes, que parecem desafiar a lógica do lucro e da alocação otimizada de recursos, princípios que fazem a economia funcionar há séculos. Me parece claro que o uso de metanol não foi feito pelos mesmos bandidos tradicionais da falsificação. 

Eles não têm caráter e estão à margem da legislação, mas há muito tempo vivem de vender bebidas “batizadas”, nunca envenenadas. Quem praticou esse ato no estado de São Paulo e, em menor proporção, em outros estados, tinha outros objetivos: provavelmente causar medo na população e gerar desconforto em políticos e agentes de controle. E, aparentemente, conseguiu, diante da incapacidade desses políticos e agentes de reprimir o crime.

E o governo não está preocupado com a arrecadação de impostos no longo prazo. Seu movimento tem como foco o curtíssimo prazo, em outras palavras, a eleição de outubro do ano que vem, mas trará consequências inevitáveis: a destruição do tecido socioeconômico e o enfraquecimento da classe média, que, essa sim, precisa agir. Meu conselho é claro: aloquem seus recursos financeiros e intelectuais de forma estratégica, para fugir do movimento político de caça às bruxas contra os empresários. Caso contrário, a burrice será sua.

Instagram: @profbertoncello


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Você sabe a relação de split payment, IBC-BR e recessão?


 Vamos às definições individuais de cada uma destas três palavras. O split payment, segundo o dicionário de Oxford, é “um método de liquidação de uma única fatura ou compra dividindo o valor devido entre duas ou mais fontes de pagamento (por exemplo, usando mais de um cartão de crédito, combinando cartão + dinheiro ou reunindo contribuições de várias pessoas)”. Em outras palavras, trata-se de dividir o dinheiro em tempo real para mais de um destino, no caso brasileiro, para o comerciante e, inevitavelmente, para o governo, que não perde a chance de abocanhar sua parte antes mesmo de o cidadão receber a sua.

O IBC-BR (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) é um indicador mensal criado pelo Banco Central do Brasil, com participação da Receita Federal, para medir a atividade econômica do país, funcionando como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Ele é calculado com base nos impostos pagos pelos setores da indústria, comércio, serviços e agropecuária, considerando variáveis como produção física, vendas no varejo, consumo de energia elétrica e outras proxies de atividade econômica. Curiosamente, estamos diante de problemas estatísticos entre o IBC-BR e o PIB: no primeiro trimestre de 2025, o IBC-BR caiu 0,1% enquanto o PIB subiu 1,4%; já no segundo trimestre, o IBC-BR recuou 0,43% e o PIB avançou 0,4%. A mágica estatística do IBGE pode até tentar dourar a pílula, mas não é o tema deste artigo, o foco é a economia real, que o governo insiste em mascarar.

Uma recessão é confirmada quando o PIB real (ajustado pela inflação) apresenta crescimento negativo por pelo menos dois trimestres consecutivos, medido em comparação com o trimestre anterior (variação trimestral ajustada sazonalmente). Foi exatamente isso que ocorreu com o IBC-BR, mas, segundo o IBGE, “milagrosamente” não aconteceu com o PIB. No entanto, o número de empresas inadimplentes em 2025, em comparação a 2024, sugere de forma clara uma recessão, pois vem crescendo fortemente.

Agora vamos juntar os pontos: segundo a Receita Federal, o split payment será o mais moderno do mundo, enfim, seremos campeões mundiais em alguma coisa! O governo ainda afirma que o sistema será 150 vezes maior e mais poderoso que o PIX. Para efeito de comparação, o PIX, em horário de pico, processa mais de 3.000 transações por segundo; já o split payment teria a capacidade de monitorar mais de 450.000 notas fiscais por segundo. Uma façanha tecnológica usada não para facilitar a vida do cidadão ou do empresário, mas para ampliar o alcance do controle estatal sobre cada centavo que circula na economia.

A Receita Federal do Brasil (RFB) pretende utilizar o split payment como parte da implementação do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS/CBS), previsto na Reforma Tributária (EC 132/2023 e LC 214/2025), a chamada “reforma tributária do Lula”. O teste começaria em 2026, com alíquotas simbólicas (0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS), aplicado facultativamente em operações entre empresas. O Grupo Técnico 20 (GT-20), coordenado pelo Ministério da Fazenda com participação da Receita, Banco Central e entes subnacionais, está desenvolvendo o modelo que, segundo eles, será seguro, inovador e inédito no mundo. Para mim, trata-se da maior arma de repressão contra a atividade econômica de pequenas e médias empresas, pois o dinheiro do imposto nem sequer entrará no caixa da companhia. Como consequência, a inadimplência, os pedidos de recuperação judicial e a quebradeira generalizada tendem a se intensificar, enquanto o governo comemora mais um “avanço” à custa da sobrevivência do empreendedor brasileiro.

Vamos à resposta do título: a economia brasileira real está enfrentando graves dificuldades financeiras. Isso é notório no IBC-BR, que evidencia que, apesar do aumento da carga tributária, a arrecadação vem caindo. As empresas estão fechando as portas e o país já registra o recorde histórico de companhias inadimplentes. Assim, a recessão do mundo real não é uma previsão distante, ela já está acontecendo diante dos nossos olhos, enquanto o governo insiste em manipular narrativas para negar a realidade.

Mas o PIB continua subindo e, na visão do governo, a “verdade” é que os brasileiros e suas empresas estão sonegando cada vez mais. Para resolver o problema de caixa, a solução apresentada é o split payment, que eu carinhosamente apelido de “espião de pagamento”. Esse sistema vai separar a parte do governo antes mesmo de a empresa receber pelo serviço prestado ou pelo produto vendido. Assim, na narrativa oficial, deixaremos de ser vistos como sonegadores e, magicamente, tudo ficará bem, ao menos para os cofres do Estado, não para quem produz e sustenta a economia real.

Na realidade, as empresas no Brasil lutam diariamente para sobreviver. A grande maioria enfrenta um fluxo de caixa deficitário e precisa recorrer aos bancos em busca de capital de giro, arcando com juros abusivos. Esses juros são altíssimos por culpa de um governo gastador e de um oligopólio bancário sustentado pelo próprio Estado. Em resumo, os empreendedores brasileiros estão prestes a sofrer mais um duro golpe. Fica, então, a reflexão: por quanto tempo ainda suportaremos este cenário socioeconômico, marcado por uma política fiscal e monetária desastrosa e, por que não dizer, por este governo que insiste em punir quem trabalha e produz?

Instagram: @profbertoncello

O sol nasce no oriente e o que esperar para os próximos dias?

  Existe uma mística sobre o Oriente que nasceu do eurocentrismo, e é por esse motivo que chamamos a Ásia de “Oriente”. Curiosamente, o cami...